“Não estava com fome e comi mesmo assim.” “Terminei o dia e fui direto para a cozinha.” “Comi rápido, em pé, sem sentir o gosto.” “Sei que é bobagem levar isso para a terapia, tem gente muito pior.”
Se você chegou até aqui, alguma coisa nisso está incomodando há um tempo. E é bem provável que você já tenha se perguntado se é caso de procurar ajuda ou se está exagerando.
Essa dúvida é a razão desta página existir. Ofereço atendimento psicológico online para pessoas que comem por ansiedade, estresse ou cansaço, em qualquer lugar do Brasil.
Comer por emoção não é um defeito
Comer por emoção é humano e acontece com quase todo mundo. Comemorar com comida, se consolar com comida, comer porque o dia foi longo. Nada disso, sozinho, é problema.
O que muda a conversa é a frequência e o tamanho do incômodo. Quando comer virou a principal forma de baixar a tensão, quando o alívio dura pouco e cobra culpa depois, quando você começa a organizar o dia em torno disso, deixou de ser um hábito qualquer.
Não existe exame que diga a hora de procurar ajuda. Existe uma pergunta mais simples: isso está te custando alguma coisa?
“Tem gente pior que eu” não é critério para nada
Essa frase aparece em quase toda primeira conversa sobre o tema, com palavras parecidas.
Tem, sim. Sempre tem. E isso nunca foi critério para nada.
Ninguém espera o dente cair para marcar dentista. Com sofrimento emocional, no entanto, a régua vira comparação: a pessoa mede a própria dor contra o pior caso que conhece, conclui que a dela não conta e espera. Muita gente espera bastante tempo.
Você não precisa cruzar linha nenhuma para merecer ajuda. Incômodo que se repete e não passa sozinho já é motivo suficiente.
Como isso aparece no dia a dia
A terapia costuma ajudar quando você:
- Come sem fome física, percebe isso na hora, e segue comendo
- Vai para a cozinha logo depois de uma discussão, de uma mensagem difícil ou de um dia longo
- Come mais rápido do que gostaria, em pé, olhando o celular, sem registrar o gosto
- Sente alívio nos primeiros minutos e desconforto depois, no corpo ou na cabeça
- Trata a comida como o único momento do dia que é seu
- Come pouco durante o dia porque está tenso, e desconta à noite
- Já tentou resolver com regra e lista de proibições, e a regra durou até a próxima semana difícil
- Pensa em comida com uma frequência que te cansa
- Evita falar disso com alguém porque parece pequeno demais para ocupar o tempo de outra pessoa
Não é preciso marcar todos os itens. Um que se repita há meses já dá pano para conversa.
Fome física e fome emocional não chegam do mesmo jeito
As duas são confundidas porque as duas são sentidas como fome. Mas o comportamento delas é diferente, e reparar nisso é por onde o trabalho começa.
- Fome física aparece devagar e vai crescendo. Dá sinal no corpo: estômago, queda de energia, dificuldade de concentrar. Aceita quase qualquer comida. Passa quando você come, e termina sem cobrança nenhuma
- Fome emocional aparece de repente, muitas vezes logo depois de algo que acabou de acontecer. Costuma pedir uma comida específica, em geral doce, gordurosa ou crocante, porque o que se busca é efeito rápido. Tem urgência. E, principalmente, ela não termina quando o estômago enche
Esse último ponto é o mais revelador. Se você comeu, está saciado fisicamente e ainda assim continua indo até a cozinha, o que está pedindo não era comida.
Nem sempre é óbvio qual é qual, sobretudo depois de anos comendo por regra em vez de comer por sinal. Essa leitura costuma melhorar com o trabalho, e é uma das coisas que a gente treina.
Por que a comida funciona tão bem, e por tão pouco tempo
Comer regula. Não é imaginação: mastigar, engolir, sentir doce ou gordura muda o estado do corpo em poucos minutos. Diante de ansiedade, tédio, solidão ou cansaço, é a ferramenta mais rápida e mais disponível que existe.
É importante dizer isso, porque quase ninguém diz. A comida está por perto, não exige explicação para ninguém e não depende de você resolver nada antes. Se não funcionasse, você não voltaria nela.
O problema é o prazo. O alívio vem rápido e vai embora rápido, e costuma deixar duas coisas atrás: o desconforto físico e a autocrítica. A emoção que disparou tudo continua ali, agora acompanhada de culpa.
É por isso que atacar só o comportamento raramente sai do lugar. Tirar a ferramenta sem colocar nada no lugar dela deixa você com a emoção crua e sem recurso, e o retorno vem na próxima semana difícil.
Por que força de vontade é a ferramenta errada
Não é que força de vontade seja ruim. É que ela é aplicada no lugar errado e na hora errada.
- Ela chega tarde. Você tenta frear no último elo de uma corrente que começou muito antes, quando a emoção apareceu e não foi cuidada
- Ela depende justamente do que está em falta. Autocontrole cai com cansaço, sono ruim, estresse acumulado e dia longo. E o comer emocional acontece exatamente nessas condições, quase nunca às dez da manhã de um dia tranquilo
- Ela não oferece substituto. Se a comida é a sua forma de baixar a tensão e você tira a comida sem colocar nada no lugar, a tensão não desaparece
- Ela costuma virar restrição. E comida proibida ocupa mais espaço no pensamento e cobra a conta depois
Por isso o trabalho terapêutico não é sobre reforçar a sua disciplina. É sobre entrar mais cedo na corrente.
Onde fica a linha entre comer emocional e compulsão alimentar
Comer emocional e compulsão alimentar não são a mesma coisa, e a diferença importa porque o caminho de tratamento muda.
Comer emocional é comer em resposta a uma emoção, com algum grau de escolha percebida. Você come o doce depois do dia ruim, se incomoda com isso, e a vida segue.
Compulsão alimentar tem marcas mais específicas:
- Episódios em que você come uma quantidade claramente grande num intervalo curto
- Sensação de perda de controle durante o episódio, como se não houvesse freio disponível
- Comer muito além do desconforto físico
- Comer escondido, com vergonha do volume
- Sofrimento intenso depois, e episódios que se repetem com frequência
- Tentativas de compensar depois o que foi comido
Uma coisa pode virar a outra com o tempo, sobretudo quando entra restrição no meio. E as duas podem conviver.
Se a segunda lista descreve você melhor do que a primeira, o lugar certo é a página sobre compulsão alimentar e transtornos alimentares. Não é uma versão mais grave de você: é um quadro com mecanismo e abordagem próprios, e eu também atendo isso. Digo isso porque nomear certo é parte do cuidado, não porque um caso valha mais que o outro.
E se ficou em dúvida entre as duas, tudo bem. Essa distinção é uma das primeiras coisas que uma avaliação esclarece, e não é você que precisa fechar esse diagnóstico sozinho.
O que este trabalho não é
- Não é dieta. Eu não prescrevo alimentação, isso é trabalho de nutricionista
- Não é lista de proibições. Regra rígida costuma ser exatamente o que alimenta o ciclo
- Não é sobre peso. O peso pode aparecer na conversa se importar para você, mas não é o alvo
- Não é sobre força de vontade. Se fosse, você já teria resolvido, porque tentativa não faltou
Abordagem terapêutica
Uso a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem com boa evidência científica para comportamento alimentar. Na prática, o trabalho envolve:
- Mapear o que acontece antes: qual emoção, qual hora do dia, qual situação
- Distinguir fome física de fome emocional, o que é mais difícil e mais útil do que parece
- Ampliar o repertório de regulação, para a comida deixar de ser o único recurso disponível
- Reduzir a autocrítica, que costuma ser o que transforma um episódio em vários
- Olhar para o histórico de dietas, que ensina a comer por regra e desliga a escuta da fome
- Construir consciência alimentar, sem regras impossíveis de manter
Terapia não garante resultado, mas dá acesso ao mecanismo, e trabalhar sobre o mecanismo é bem diferente de tentar mais uma vez pela força.
Quando faz sentido, trabalho em conjunto com nutricionista, e converso abertamente com você antes. Em parte dos casos, ansiedade ou esgotamento no trabalho estão na base do que aparece no prato, e o trabalho passa por ali também.
Sobre a psicóloga
Sou Danielle Vainer, psicóloga clínica formada desde 2007, com atuação clínica desde 2010 e especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental.
Além da formação, trago uma vivência pessoal com o tema: vivi por muitos anos ciclos de dietas restritivas e sofrimento emocional, até construir consciência alimentar e uma relação de paz com o corpo e com a comida. É de onde vem parte da minha escuta. Sei o que é estar desse lado. Saiba mais sobre mim.
Atendimento psicológico online
As sessões acontecem por videochamada, duram 50 minutos e têm sigilo garantido pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo.
O último horário é às 19h de Brasília. Atendo pessoas de qualquer cidade do Brasil e brasileiros morando no exterior, e boa parte dos meus pacientes está na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Emito recibo e nota fiscal para reembolso de plano de saúde.
Veja também as outras áreas de atuação e como funciona a terapia online.
Agende seu atendimento
Se você leu até aqui esperando permissão para se levar a sério, considere dada.
Atendimento 100% online, para todo o Brasil. Consultório de origem na Barra da Tijuca - RJ.